titulo

Palabras Errantes Latin American Literature in Translation

Palabras Errantes
Dulcinéia Catadora I

By Andréia Emboava. Translated by Ana Frankenberg-García and Alex Flynn

São Paulo 2018

OK! My name is Andréia. I was born in São Paulo, the state capital. I have been involved in recycling since I was a kid, my grandfather was a waste picker, my father is a waste picker and so how could I not be a waste picker as well. At the end of 2006 I came back to the city because up to then I was living in Sumaré, São Paulo state, with my mother. It was through my father that I heard the cooperative was being formed, so I started working with my father at the cooperative. With two children to raise, life wasn’t easy. When I started working, everything was new to me and at the same time complicated, because I earned very little and not enough to meet my needs and those of my children. I had to stop work all the time to drop them off and collect them from school and nursery.

In 2007 there was an announcement by the national movement of waste pickers (mncr) at the cooperative saying that there was this project at the 27th Bienal in São Paulo, looking for children of waste pickers to participate in the workshops they would be running in the pavilion. I went along and that’s when I learned about the Eloísa Cartonera project. Soon after the workshops finished, the Dulcinéia Catadora project was formed. I have been part of the Dulcinéia collective since the beginning, I left and came back a few times, but I have been a steady member since 2010, when the project moved to the Glicério co-op. As part of the collective, I’ve had the opportunity to learn lots of things about places, cultures and even literature, because before I joined I hadn’t really had any contact at all with the artistic and literary world. (I love being part of this project).

In 2015 I launched my own book within the project. As the years have gone by, I have developed a cardboard painting style in which I trace pathways along the crumpled bits of the card. One day my daughter was playing around, colouring a piece of paper at home and she crumpled a sheet of A4. I got the paper, flattened it so, one day, at a book fair, I told Lúcia that I had come up with the idea of making a book. The members of the collective welcomed the project and that’s how my book Passage came into being. The book is called Passage because I don’t know for how long the project will last and or for how long I’ll be a part of it, so I wanted to record my “passage” in the Dulcinéia Catadora project.

Well, I still face some difficulties in life, because I’m “Black”, “Poor” and a “Waste picker” and for these and other reasons I suffer a lot of prejudice. But I live with dignity, love, peace and wisdom! It’s not and it won’t be easy, but I always carry on, in search of new horizons, always looking for better days for myself, my children and my grandson.This is the story of my life, as a waste picker, mother, woman, daughter, wife, grandmother and, above all, warrior.

 

São Paulo 2018

Bom! Me chamo Andréia. Sou natural de São Paulo capital. Desde pequena estou envolvida com a reciclagem, pois meu avô era Catador, meu pai é catador, então, como eu poderia deixar de ser catadora? No final de 2006 voltei a São Paulo pois até então morava em Sumaré / SP com minha mãe. Através do meu pai conheci a cooperativa que estava se formando, então comecei a trabalhar com meu pai dentro da cooperativa. Com dois filhos para criar, passei por muitas dificuldades. Quando cheguei para trabalhar tudo para mim era novo e ao mesmo tempo complicado, pois ganhava muito pouco e não conseguia atender às minhas necessidades e as dos meus filhos. Parava muito para levá-los e buscá-los na escola e na creche.

Em 2007 chegou um comunicado na cooperativa através do movimento nacional de catdores (mncr). Havia um projeto na 27ª Bienal em São Paulo que estava à procura de filhos de catadores para colaborar nas oficinas que iriam acontecer no pavilhão. Fui lá e foi então que conheci o projeto Eloísa Cartoneira. Logo depois, quando as oficinas acabaram, foi formado o Projeto Dulcinéia Catadora. Faço parte do coletivo desde sua formação, saí e voltei algumas vezes, mas estou firme e forte desde 2010, quando o projeto se instalou na cooperglicério. Fazendo parte do coletivo tive a oportunidade de conhecer várias coisas desde lugares, cultura e até literatura, pois até então não havia tido contato nenhum com o mundo artistico e literário. (Adoro fazer parte desse projeto).

E em 2015 lancei meu próprio livro no projeto. Ao longo dos anos desenvolvi uma técnica de pintura no papelão onde eu faço caminhos nos amassados do papelão. Um dia minha filha estava brincando de pintar em casa e amassou uma folha de sulfite. Eu peguei essa folha, desamassei e comecei a fazer os mesmos caminhos que fazia no papelão! Então, um dia em uma feira de livros eu contei para a Lúcia a ideia de fazer um livro. As participantes do coletivo abraçaram o projeto e foi onde nasceu o livro Passagem de minha autoria. O livro se chama Passagem porque eu não sei até quando o projeto vive e até quando permaneço nele, então quis registrar minha “passagem” pelo projeto Dulcinéia Catadora.

Bom, eu ainda passo por algumas dificuldades na vida, pois sou “Preta”, “Pobre”, “Catadora” e por essas e outras sou alvo de muito preconceito. Mas levo minha vida com muita dignidade, amor, paz e sabedoria! Fácil não é e nem vai ser, mas sigo em frente sempre, buscando novos horizontes, sempre à procura de dias melhores para mim, para meus filhos e neto. Essa é a história da minha vida como catadora, mãe, mulher, filha, esposa, avó e, acima de tudo, guerreira.

 

Founded in 2007 after two months of intense collaborative work between Lúcia Rosa, Peterson Emboava and members of Eloísa Cartonera during the 27th São Paulo Biennial. Currently, it operates from the Glicério Recycling Cooperative in São Paulo, and counts on the active participation of Andréia Emboava, Maria Dias da Costa and Eminéia dos Santos, whose daily work is recycling, and Lúcia Rosa. Dulcinéia’s catalogue numbers over 140 titles ranging from poetry to the social sciences, from social interventions to artists’ books.

Share Button

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *