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Palabras Errantes Latin American Literature in Translation

Palabras Errantes
Dulcinéia Catadora II

By Eminéia Silva Santos. Translated by Ana Frankenberg-García e Alex Flynn

 

 

When I arrived from Bahia I was just five years old. I came with my parents and I’ve been working with recycling ever since. I learned that there’s no such thing as waste, only people who don’t know how to recycle.

I see women making their children beg in the street and it makes me feel like telling them “shame on you, go find work”.

There are many things I can’t accept. Here are some of them:

Mothers who abandon their children.

A man who beats a woman.

Children stealing at the traffic lights.

Parents can’t even give them a little smack without people saying they will call the police. That’s why children steal and kill and nothing happens. It’s this kind of justice that allows them to get away with it.

Men beat women because many let them get away with it.

I have a boyfriend; if one day he beats me, he won’t live another day.

Before having children a woman has to think hard; she has to think before having kids; afterwards there’s no way out. She must raise and educate them, she must be responsible. I have four children, all of them unplanned. I didn’t abandon any of them; I raise all four alone.

My youngest daughters’ dad helps a little; I have to do all I can to raise them.

I brought them into this world and it’s my responsibility.

Rain or shine, they have to eat, drink and be dressed and it’s me who has to do it.

On a different note, life is not just sadness; there is also happiness.

It’s wonderful to see your child smile and say he loves you. Just to hear that makes it all worthwhile.

Don’t ever regret what you have done; regret only what you have not.

Quando eu vim da Bahia, eu só tinha 5 anos. Vim com meus pais e desde então trabalho na reciclagem. Aprendi que lixo não existe, o que existe é gente que não sabe reciclar.

Vejo mulheres colocando seus filhos para pedir esmola e dá vontade de mandar elas tomar vergonha na cara e ir trabalhar.

Fico revoltada com muitas coisas. Algumas delas são:

Mães que abandonam seus filhos.

Homem que bate em mulher.

Crianças roubando no farol.

Os pais não podem nem dar um tapinha que eles já falam que vão chamar a polícia. Por isso que as crianças roubam, matam e não acontece nada. A própria justica dá ousadia a elas.

Homem bate em mulher porque muitas dão ousadia. Tenho um namorado; se um dia ele me bater, ele não amanhece vivo.

A mulher antes de ter um filho tem que pensar muito, tem que pensar antes de fazer; depois que fez não tem mais jeito. Ela tem é que criar e educar. Tem que ter responsabilidade.Tenho quatro filhos, nem um foi porque eu quis. Não abandonei nenhum; crio os quatro sozinha.

O pai das minhas filhas mais novas me ajuda um pouco; eu tenho que me desdobrar para criá-los.

Se eu os coloquei no mundo a responsabilidade é minha.

Faça chuva, faça sol eles têm que comer, beber e vestir. E quem tem que dar sou eu.

Mudando de assunto, a vida não é só tristeza; também tem alegria. É maravilhoso ver um filho sorrir e dizer que te ama. Só de ouvir isso tudo vale a pena.

Não se arrependa do que você fez; se arrependa do que você não fez.

 

Founded in 2007 after two months of intense collaborative work between Lúcia Rosa, Peterson Emboava and members of Eloísa Cartonera during the 27th São Paulo Biennial. Currently, it operates from the Glicério Recycling Cooperative in São Paulo, and counts on the active participation of Andréia Emboava, Maria Dias da Costa and Eminéia dos Santos, whose daily work is recycling, and Lúcia Rosa. Dulcinéia’s catalogue numbers over 140 titles ranging from poetry to the social sciences, from social interventions to artists’ books.

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